Categoria: Sociedade

  • Mulheres de Fé

    Mulheres de Fé

    Em 2010, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) apontava que as mulheres eram maioria entre os fiéis de 16 das 24 religiões catalogadas pela pesquisa. Ainda na expectativa da divulgação dos dados coletados no censo de 2020, pode-se dizer que o Brasil encontra-se em um breu estatístico no que diz respeito à fé de sua população. Ainda assim, é possível fazer algumas conjecturas sobre o cenário que já se desenhava há mais de uma década atrás. Para Maria José Rosado, socióloga da religião e professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP), a maior presença feminina nos grupos religiosos se dá porque “as mulheres buscam na religião, muitas vezes, esse espaço que elas consideram de segurança, de mais tranquilidade, de não violência”

    No entanto, a própria pesquisadora admite que nem sempre isso é verdade. Este espaço de ambiguidade em meio a fé se faz presente na própria experiência de Maria José. Isso porque ela é fundadora da “Católicas pelo direito de decidir”, organização que visa promover mudanças nos padrões culturais e religiosos com base em teorias feministas. Sobre a aparente contradição do movimento, Maria José explica: “é possível manter sua fé religiosa e, ao mesmo tempo, definir as suas escolhas na vida. Muito particularmente, em relação ao sexo e à capacidade reprodutiva”

    Este é um dos exemplos de como a reflexão sobre a relação feminina com a fé pode se dar no contato com trajetórias e perspectivas individuais de mulheres. Aqui, elas terão autonomia para narrar e conceituar suas experiências.